painelO Startupi acompanhou ontem o Rakuten Expo, evento destinado aos varejistas e profissionais do comércio eletrônico. A Jornalista Ancora do Jornal da Globo, Christiane Pelajo, mediou um painel sobre “O papel do varejo no desenvolvimento do país” com Caito Maia, Fundador da Chilli Beans, Lars Leber, CEO da OqVestir, Minolu Camicado, Fundador da Camicado e Rafael Cervone, Presidente da Abit.

O bate-papo começou falando sobre as mudanças do varejo nos últimos anos com a abertura de novas praças, novos canais de venda e aquisições.

Rafael destacou que nos últimos dez anos o PIB brasileiro cresceu 40%, as vendas do varejo subiram 120% e a do varejo de vestuário 500%, isso foi um grande desafio. Lars cita a mudança dos canais de venda, principalmente o aumento das vendas online.

Para Caito, o que mudou nos últimos dez anos foi a questão da concorrência com o surgimento de novas empresas, o que ele considera saudável, pois gera um enriquecimento em todas as categorias, melhorando o comércio brasileiro e abrindo portas para diferentes canais como o e-commerce, por exemplo.

Minolu afirma que uma grande mudança que ocorreu foi a mudança de patamar do Brasil e seu crescimento. Ele conta que há dez anos existia certa expectativa com o crescimento forte do país, o que fez com que todos os players tivessem que se modernizar. Ele usa como exemplo seu próprio negócio de varejo, antes apenas físico, que com a implementação da loja online passou a ter o virtual como primeiro negócio. Outro fato que ele cita que mudou nos últimos dez anos foi o comportamento do consumidor, que está muito mais exigente em questão de produto, atendimento e valores.

E a crise? Como eles estão se preparando? Quais são os maiores desafios do momento para o varejo?

Minolu afirma que o que as empresas precisam fazer é se preparar cada vez mais para terem produtos acessíveis para os clientes. Até porque o governo imputou uma série de custos para as importações e por isso, hoje não temos a mesma facilidade de antes para importar, outro fator que também prejudica a importação é a alta do dólar. Segundo ele, o Brasil já vem se preparando para esse momento de crise e um exemplo disso, é a valorização das lojas de bairro, que foi mudando o conceito de varejo, atingindo todas as classes sociais. Minolu acredita que no momento o melhor a se fazer é expandir para esses novos nichos de mercado que estão surgindo.

Crise é oportunidade? Para Caito sim! Nesse momento ele está investindo pesado em propaganda para expandir sua marca pelo Brasil, pois acredita que é um mercado de muito potencial. Para se ter uma ideia, seu investimento em propaganda online vem dobrando a cada ano. A Chilli Beans também está abrindo 100 novas lojas das quais 80, são no interior do Brasil. Ele destaca que os custos nas grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte estão realmente altos e por isso estão buscando esses novos nichos de mercado.

Com a crise ele afirma que os frutos do shopping caíram 18%,ou seja, 18% menos pessoas querem comprar produtos. E qual é a estratégia? “Tirar mais suco da laranja de quem está dentro da sua loja, antes fazia 2 copos, agora faço 3,4 e ainda uso a casca para fazer um docinho, é isso” afirma Caito.

Crise é oportunidade, mas nada acontece sozinho, é preciso ir atrás e encontrar nichos de mercado afirma Lars. Olhando o mercado online do Brasil, ele representa de 2 a 3% da movimentação do varejo e olhando para países como a Inglaterra, por exemplo, esse número chega a 20%. Ele afirma que existe muito espaço para crescer, independente do cenário econômico que estamos vivendo.

Minolu destaca que um movimento bastante interessante durante a crise é o surgimento de novos empreendedores. Seja vendendo empada, fazendo artesanato ou criando novas soluções com tecnologia, esse movimento está criando um novo comércio.  “O brasileiro é um empreendedor nato, já nasce querendo ser dono de alguma coisa, eu mesmo comecei vendendo verdura”.

Para Rafael o maior desafio da indústria e do varejo é o ambiente hostil para o empreendedorismo e criação de novas empresas e geração de novos empregos. “É um Estado que intervém o tempo todo na economia e que coloca uma série de regras. Para se ter uma ideia, regras tributárias em média são 776 por dia útil no Brasil. Precisamos simplificar! ”.

Lars acredita que pelo Brasil ser muito grande, existem diversas oportunidades. Olhando o mercado online ele enxerga que as pequenas lojas e varejistas já ficaram com medo do desenvolvimento da economia, por isso fizeram menos compras de produtos, por isso ele afirma que teremos uma baixa oferta de certos produtos no mercado. “Não acredito que todo mundo vai parar de comprar roupa, vai acontecer apenas um consumo mais consciente”.

Indústria

Caito conta que 85% da produção da Chilli Beans é feita na China e 15% no Brasil. ”Somos a maior marca de óculos da América Latina e eu adoraria montar uma fábrica no Brasil, mas eu tenho 0 de incentivo do Governo”. Em 2016, devido a alta do dólar, o plano é ficar com quase que 35% da produção no Brasil.

Rafael afirma que esse movimento está afetando o varejo em geral, até o ano passado o varejo de vestuário cresceu 2 dígitos e esse ano irá crescer -4%. É um ponto fora da curva, mas a única certeza que temos da crise é que ela vai passar. “Nesse momento todo o varejo está buscando nacionalizar seus produtos, até por que o câmbio do jeito que estava, fez com que todos repensassem suas estratégias”.

Lars conta que se impressiona muito com o tamanho do ecossistema nacional do Brasil. Olhando para o mercado de moda, por exemplo, hoje no OqVestir eles vendem mais de 200 marcas e 95% dessas marcas são nacionais.

Nesse momento as indústrias que estão sendo mais competitivas são aquelas que estão se verticalizando e caminhando para o varejo. O varejo de grande superfície no Brasil, diferente do que acontece na Europa e EUA, não é concentrado, se você somar todos os grandes do varejo eles não somam 15, 20% de Market Share no Brasil.

O varejo e o simples

Ambos concordam que o varejo é feito de coisas simples.  Caito conta que tinha um quiosque em Belo Horizonte de 6 metros quadrados em que as pessoas ficavam em filas aguardando para conseguirem ver os óculos e serem atendidos, Caito então resolveu colocar mais um expositor de óculos aumentando em 1 metro e meio o quiosque. Essa simples mudança fez com que a venda média aumentasse 32%. Hoje esse quiosque vende 280 mil reais por mês. “São coisas muito simples que a gente faz no mercado que faz as coisas acontecerem”.

Minolu conta que em uma das sua loja na rua 25 de março, tinham apenas 3 caixas, a  partir do momento em que ele aumentou a quantidade de caixas, aumentaram suas as vendas. Outra coisa simples foi a implementação de ar condicionado em sua loja proporcionando um ambiente agradável para os clientes, fazendo-os ficarem mais tempo na loja e com isso, aumento as vendas.

Rafael concorda e ressalta a importância de ouvir os clientes. “Se seus clientes estão abandoando cestas cheias de produtos próximo dos caixas, tem algum motivo e você precisa descobrir qual é”. Lembrando que não basta apenas ouvi-los, você precisa incluir melhorias para que a experiência do cliente seja cada vez melhor.

Caito finaliza dizendo que o sucesso da história é o arroz com feijão bem feito, segundo ele, as pessoas ficam enlouquecidas buscando soluções, querendo fazer muitas coisas e deixam de fazer o básico.

Fonte: Startupi.com.br

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